Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que a dor durante a inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU) pode ser muito mais frequente do que apontam as diretrizes oficiais brasileiras. A pesquisa constatou que 81% das mulheres relataram dor moderada ou intensa durante o procedimento.
Os dados foram publicados na revista científica International Journal of Gynecology & Obstetrics e analisaram 7.259 inserções de DIU realizadas entre os anos de 2022 e 2024 em um serviço público de referência em Campinas, no estado de São Paulo.
De acordo com o levantamento, 54% das participantes classificaram a dor como severa, enquanto 27% relataram dor moderada. Os números contrastam com o manual técnico do Ministério da Saúde, que estima que menos de 5% das mulheres experimentam esse nível de desconforto durante a colocação do dispositivo.
Os pesquisadores defendem a atualização das diretrizes nacionais para que reflitam de forma mais fiel a experiência das pacientes e contribuam para uma assistência mais humanizada e centrada nas necessidades das mulheres.
O estudo também destaca que a dor pode ser reduzida por meio de estratégias como o uso de anestésicos locais em gel, spray ou aplicação injetável, além de medicamentos anti-inflamatórios, especialmente para o alívio após o procedimento.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de anestesia local e outras medidas para reduzir a dor quando houver disponibilidade de recursos, mas ressalta que a ausência desses métodos não deve impedir o acesso ao DIU.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente apenas o DIU de cobre. O método é considerado uma das formas mais eficazes de contracepção de longa duração e pode permanecer ativo por até dez anos.
O estudo reacende o debate sobre a importância de informar adequadamente as pacientes sobre o procedimento e garantir estratégias que promovam mais conforto e acolhimento durante a inserção do dispositivo.
Fonte: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), International Journal of Gynecology & Obstetrics e g1.




